quarta-feira, 17 de outubro de 2018

O EVANGELHO E AS ELEIÇÕES 2018.


A Casa Comum em que todos nós estamos inseridos, em tempos de pós-verdade, me parece que neste processo eleitoral no Brasil, uma parte das comunidades cristãs, tiraram suas caricaturas e mostraram a sua verdadeira face, trazendo luz e trevas para que os estudiosos e cientistas da religião, possa contribuir no futuro, no processo missionário da boa noticia do evangelho na evangelização dos povos, e futuras gerações.

No Brasil, ao longo de muitas décadas, parte das diversas denominações, comunidades cristãs se tornaram um curral eleitoral, nas mãos do neopentecostalismo, e outros ramos, que utiliza a força da comunicação através da teologia da prosperidade nas grandes mídias, e redes sociais, onde o evangelho é manipulado pelos Pastores para fortalecer financeiramente as denominações, e bancadas de Políticos, nas câmaras municipal, estadual, federal, senado, para que seus governos tenha o controle global do gado, ou melhor, tenha o controle do povo, em nome de Deus.

Diante das pesquisas eleitorais, e acreditando que as pesquisas estão corretas, Pastores em cima do muro, nas comunidades cristãs e redes sociais, de forma estratégica, procura beneficiar o seu candidato, manipulando as consciências dos clericalizados, e do povo, que os candidatos a Presidente neste segundo turno, são tão ruins, mais tão ruins, que o correto seria o povo anular o voto, sabendo eles os Pastores, que se as pesquisas estiverem corretas, desta forma está beneficiando determinado candidato no que se refere aos votos válidos.

Nestas comunidades, um bom cristão, se quiser sobreviver, não pode navegar contra o sistema, pois se isso acontecer o pobre cristão será excluído da comunidade, e precisará seguir o caminho da Cruz.

No contexto geral, o povo brasileiro é um povo pacífico, ordeiro, trabalhador, religioso e de Paz.    

De nossa parte independente de quem vença as eleições, é preciso urgentemente repensar a quem estamos servindo? 

Repensar as formações, repensar o processo de evangelização, pois se isso não acontecer, o evangelho perderá a sua força, sua credibilidade e não produzira frutos para ás próximas gerações. pois as redes de TVs, estão perdendo a cada dia sua força, audiência, e as redes sociais são os grandes protagonistas hoje, e protagonistas das futuras gerações, para o bem ou para o mal.

Que o bom Deus, abençoe a todos(as).
E Viva a democracia..

Texto: Tarcísio Cirino
13 - 10 - 2018



FRANCISCO: HOMILIA DA CANONIZAÇÃO DOS NOVOS SANTOS.

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO DOS BEATOS:
OSCAR ROMERO, PAULO VI, FRANCISCO SPINELLI,
VICENTE ROMANO, MARIA CATARINA KASPER,
NAZÁRIA INÁCIA DE SANTA TERESA DE JESUS, NÚNCIO SULPRIZIO

Praça São Pedro
Domingo, 14 de outubro de 2018


A segunda Leitura disse-nos que «a palavra de Deus é viva, eficaz e cortante» (cf. Heb 4, 12). É mesmo assim: a Palavra de Deus não é apenas um conjunto de verdades ou uma história espiritual edificante. Não! É Palavra viva que toca a vida, que a transforma. Nela, Jesus pessoalmente – Ele que é a Palavra viva de Deus – fala aos nossos corações.
Particularmente o Evangelho convida-nos a ir ao encontro do Senhor, a exemplo daquele «alguém» que «correu para Ele» (cf. Mc10, 17). Podemo-nos identificar com aquele homem, de quem o texto não diz o nome parecendo sugerir-nos que pode representar cada um de nós. Ele pergunta a Jesus como deve fazer para «ter em herança a vida eterna» (10, 17). Pede vida para sempre, vida em plenitude; e qual de nós não a quereria? Mas pede-a – notemos bem – como uma herança a possuir, como um bem a alcançar, a conquistar com as suas forças. De facto, para possuir este bem, observou os mandamentos desde a infância e, para alcançar tal objetivo, está disposto a observar ainda outros; por isso, pergunta: «Que devo fazer para ter…?»
A resposta de Jesus mexe com ele. O Senhor fixa nele o olhar e ama-o (cf. 10, 21). Jesus muda-lhe a perspetiva: passar dos preceitos observados para obter recompensas ao amor gratuito e total. Aquele homem falava em termos de procura e oferta; Jesus propõe-lhe uma história de amor. Pede-lhe para passar da observância das leis ao dom de si mesmo, do trabalhar para si ao estar com Ele. E faz-lhe uma proposta «cortante» de vida: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres (…), vem e segue-Me» (10, 21). E Jesus diz também a ti: «Vem e segue-Me». Vem: não fiques parado, porque não basta não fazer nada de mal para ser de Jesus. Segue-Me: não vás atrás de Jesus só quando te apetece, mas procura-O todos os dias; não te contentes com observar preceitos, dar esmolas e recitar algumas orações: encontra n’Ele o Deus que sempre te ama, o sentido da tua vida, a força para te entregares.
E Jesus diz mais: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres». O Senhor não faz teorias sobre pobreza e riqueza, mas vai direto à vida. Pede-te para deixar aquilo que torna pesado o coração, esvaziar-te de bens para dar lugar a Ele, único bem. Não se pode seguir verdadeiramente a Jesus, quando se está estivado de coisas. Pois, se o coração estiver repleto de bens, não haverá espaço para o Senhor, que Se tornará uma coisa mais entre as outras. Por isso, a riqueza é perigosa e – di-lo Jesus – torna difícil até mesmo salvar-se. Não, porque Deus seja severo; não! O problema está do nosso lado: o muito que temos e o muito que ambicionamos sufocam-nos; sufocam-nos o coração e tornam-nos incapazes de amar. Neste sentido, São Paulo recorda-nos que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tim 6, 10). Quando se coloca no centro o dinheiro, vemos que não há lugar para Deus; e não há lugar sequer para o homem.
Jesus é radical. Dá tudo e pede tudo: dá um amor total e pede um coração indiviso. Também hoje Se nos dá como Pão vivo; poderemos nós, em troca, dar-Lhe as migalhas? A Ele, que Se fez nosso servo até ao ponto de Se deixar crucificar por nós, não Lhe podemos responder apenas com a observância de alguns preceitos. A Ele, que nos oferece a vida eterna, não podemos dar qualquer bocado de tempo. Jesus não Se contenta com uma «percentagem de amor»: não podemos amá-Lo a vinte, cinquenta ou sessenta por cento. Ou tudo ou nada.
Queridos irmãos e irmãs, o nosso coração é como um íman: deixa-se atrair pelo amor, mas só se pode apegar a um lado e tem de escolher: amar a Deus ou as riquezas do mundo (cf. Mt 6, 24); viver para amar ou viver para si mesmo (cf. Mc 8, 35). Perguntemo-nos de que lado estamos nós... Perguntemo-nos a que ponto nos encontramos na nossa história de amor com Deus... Contentamo-nos com alguns preceitos ou seguimos Jesus como enamorados, prontos verdadeiramente a deixar tudo por Ele? Jesus pergunta a cada um e a todos nós como Igreja em caminho: somos uma Igreja que se limita a pregar bons preceitos ou uma Igreja-esposa, que pelo seu Senhor se lança no amor? Seguimo-Lo verdadeiramente ou voltamos aos passos do mundo, como aquele homem? Em suma, basta-nos Jesus ou procuramos as seguranças do mundo? Peçamos a graça de saber deixar por amor do Senhor: deixar riquezas, deixar sonhos de funções e poderes, deixar estruturas já inadequadas para o anúncio do Evangelho, os pesos que travam a missão, os laços que nos ligam ao mundo. Sem um salto em frente no amor, a nossa vida e a nossa Igreja adoecem de «autocomplacência egocêntrica» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 95): procura-se a alegria em qualquer prazer passageiro, fechamo-nos numa tagarelice estéril, acomodamo-nos na monotonia duma vida cristã sem ardor, onde um pouco de narcisismo cobre a tristeza de permanecermos inacabados.
Aconteceu assim com aquele homem que – diz o Evangelho – «retirou-se pesaroso» (10, 22). Ancorara-se aos preceitos e aos seus muitos bens, não oferecera o coração. E, embora tivesse encontrado Jesus e recebido o seu olhar amoroso, foi-se embora triste. A tristeza é a prova do amor inacabado. É o sinal dum coração tíbio. Pelo contrário, um coração aliviado dos bens, que ama livremente o Senhor, espalha sempre a alegria, aquela alegria de que hoje temos tanta necessidade. O Santo Papa Paulo VIescreveu: «É no meio das suas desgraças que os nossos contemporâneos precisam de conhecer a alegria e de ouvir o seu canto» (Exort. ap. Gaudete in Domino, I). Hoje, Jesus convida-nos a voltar às fontes da alegria, que são o encontro com Ele, a opção corajosa de arriscar para O seguir, o gosto de deixar tudo para abraçar o seu caminho. Os Santos percorreram este caminho.


Fê-lo Paulo VI, seguindo o exemplo do Apóstolo cujo nome assumira. Como ele, consumiu a vida pelo Evangelho de Cristo, cruzando novas fronteiras e fazendo-se testemunha d’Ele no anúncio e no diálogo, profeta duma Igreja extroversa que olha para os distantes e cuida dos pobres. Mesmo nas fadigas e no meio das incompreensões, Paulo VI testemunhou de forma apaixonada a beleza e a alegria de seguir totalmente Jesus. Hoje continua a exortar-nos, juntamente com o Concílio de que foi sábio timoneiro, a que vivamos a nossa vocação comum: a vocação universal à santidade; não às meias medidas, mas à santidade. É significativo que, juntamente com ele e demais Santos e Santas hodiernos, tenhamos D. Óscar Romero, que deixou as seguranças do mundo, incluindo a própria incolumidade, para consumir a vida – como pede o Evangelho – junto dos pobres e do seu povo, com o coração fascinado por Jesus e pelos irmãos. E o mesmo podemos dizer de Francisco Spinelli, Vincente Romano, Maria Catarina Kasper, Nazária Inácia de Santa Teresa de Jesus e também do nosso jovem abruzo-napolitano, Núncio Sulprizio: o santo jovem, corajoso, humilde que soube encontrar Jesus no sofrimento, no silêncio e no dom de si mesmo. Todos estes Santos, em diferentes contextos, traduziram na vida a Palavra de hoje: sem tibieza, nem cálculos, com o ardor de arriscar e deixar tudo. Irmãos e irmãs, que o Senhor nos ajude a imitar os seus exemplos!

O SOFRIMENTO DE FRANCISCO EM TERRITÓRIO MAFIOSO.



Papa: não se pode acreditar em Deus e ser mafioso


O Papa retornou à Sicília nos 25 anos da morte do padre Pino Puglisi, assassinado pela máfia em 1993. Em sua homilia, o Papa fez uma dura advertência aos mafiosos: caso não se converterem ao Deus verdadeiro de Jesus Cristo, "sua vida será perdida e será a pior das derrotas”.
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano
“Não se pode acreditar em Deus e ser mafiosos. Quem é mafioso não vive como cristão, porque blasfema com a vida contra o nome de Deus-amor”, e hoje “temos necessidade de homens e de mulheres de amor, não de homens e de mulheres de honra”.
Na homilia da Missa celebrada no final da manhã deste sábado no Foro Itálico, em Palermo, o Papa exortou os mafiosos a deixarem de pensar em si mesmos e em seu dinheiro e a converterem-se ao verdadeiro Deus de Jesus Cristo, advertindo que caso contrário, a vida deles "será perdida e será a pior das derrotas”.
Francisco  voltou à Sicília por ocasião do 25º aniversário de morte do padre Pino Puglisi, assassinado pela máfia em 15 de setembro de 1993, “coroando a sua vitória com o sorriso, com aquele sorriso que não deixou dormir de noite seu assassino que disse: «havia uma espécie de luz naquele sorriso»”.

Vitória e derrota

 

A sua homilia contrapôs o amor e o egoísmo, contrapôs a vida do padre Puglisi com o estilo mafioso de ser e agir. “Hoje Deus nos fala da vitória e da derrota”, disse o Papa referindo-se ao Evangelho de São João, “e somos chamados a escolher de que parte estamos: viver para si  - com a mão fechada - ou doar a vida - a mão aberta. Somente doando a vida se derrota o mal. Um preço alto, mas somente assim”.
“ Somente doando a vida se derrota o mal. Um preço alto, mas somente assim ”
“Quem vive para si, quem multiplica os seus ganhos, quem tem sucesso, quem satisfaz plenamente as suas necessidades, parece vencedor aos olhos do mundo. A publicidade martela esta ideia”, diz Francisco.
Mas para Deus, “quem vive para si não perde somente alguma coisa, mas toda a vida, enquanto quem se doa encontra o sentido da vida e vence”. Portanto, há uma escolha a ser feita: “amor ou egoísmo”:
O egoísta pensa em cuidar da própria vida e se apega às coisas, ao dinheiro, ao poder, ao prazer. Então o diabo tem as portas abertas.  O diabo entra pelos bolsos - eh! - se você é apegado ao dinheiro, isto é, ao diabo. O diabo faz acreditar que tudo está bem, mas na verdade o coração se anestesia com o egoísmo. O egoísmo é uma anestesia muito poderosa.  Este caminho sempre acaba mal: no final se fica sozinho, com um vazio por dentro. O fim dos egoístas é triste: vazios, sozinhos, circundados somente por aqueles que querer herdar”.
“ Quem vive para si não perde somente alguma coisa, mas toda a vida, enquanto quem se doa encontra o sentido da vida e vence ”
Mas para muitos – observa Francisco – essa conversa poderia parecer fora da realidade, pois para seguir em frente “serve dinheiro e poder”. Mas isto, advertiu, “é uma grande ilusão:
Dinheiro e poder não libertam o homem, fazem dele um escravo. Vejam: Deus não exerce poder para resolver nossos males e os males do mundo. Seu caminho é sempre o do amor humilde: somente o amor liberta internamente, dá paz e alegria. Por isso que o verdadeiro poder, o poder segundo Deus, é serviço. Jesus o diz.  E a voz mais forte não é a aquela de quem grita mais. A voz mais forte é a oração. E o maior sucesso não é a própria fama, como o pavão, não! A glória maior é, o sucesso maior é, o próprio testemunho”.

Lógica "perdedora"

 

Era isso o que padre Pino ensinava – recordou o Pontífice: “não vivia para se mostrar, não vivia de apelos antimáfia, e tampouco se contentava em não fazer nada, mas semeava o bem”. Sua lógica, “parecia uma lógica perdedora”, enquanto a lógica da carteira parecia vencedora”, mas “a lógica do deus-dinheiro é sempre perdedora”.
“ A lógica do deus-dinheiro é sempre perdedora ”
Ao ser morto há 25 anos, o sacerdote coroou a sua vida com um sorriso. Era inofensivo e seu sorriso transmitia a força de Deus, uma luz gentil que é a luz do amor, do dom, do serviço:
“Temos necessidade de cristãos sorridentes, não porque levem pouco a sério as coisas, mas porque são ricos somente da alegria de Deus, porque acreditam no amor e vivem para servir”.
Padre Pino sabia que arriscava, “mas sabia sobretudo que o perigo verdadeiro na vida é não arriscar, é ir levando a vida entre comodidades, futilidades e atalhos”. Que Deus nos liberte disso:
Deus nos liberte de vivermos no lado negativo, nos contentando com meias-verdades. As meias-verdades não saciam o coração, não fazem bem. Deus nos liberte de uma vida pequena, que gira em torno das "mesquinharias". Liberte-nos de pensar que tudo está bem se estiver tudo bem comigo, o outro que se arranje. Liberte-nos de acreditarmos que somos justos se não fizermos nada para combater a injustiça. Quem não faz nada para combater a injustiça não é um homem ou uma mulher justo.  Liberte-nos de acreditarmos que somos bons, somente porque não fazemos nada de mal (...). Senhor, dá-nos o desejo de fazer o bem; buscar a verdade detestando a falsidade; de escolher o sacrifício, não a preguiça; o amor, não o ódio; o perdão, não a vingança”.

Quem é mafioso não vive como cristão

 

Quem diz amar a Deus, mas odeia o seu irmão é um mentiroso - recordou o Papa referindo-se à primeira leitura -, pois “Deus-amor repudia toda a violência e ama todos os homens. Por isso, a palavra ódio deve ser apagada da vida cristã”. Então, dirigindo-se aos mafiosos disse:
“ A palavra ódio deve ser apagada da vida cristã ”
Não se pode acreditar em Deus e ser mafiosos. Quem é mafioso não vive como cristão, porque blasfema com sua vida o nome de Deus-amor. Hoje temos necessidade de homens e de mulheres de amor, não de homens e mulheres de honra; de serviço, não de subjugação; temos necessidade de homens e mulheres, de caminhar juntos, não de perseguir o poder. Se a ladainha mafiosa é: "Você não sabe quem eu sou", a cristã é: "Eu preciso de você". Se a ameaça mafiosa é: "Você vai pagar para mim", a oração cristã é: "Senhor, ajuda-me a amar". Por isso aos mafiosos eu digo: mudem irmãos e irmãs! Parem de pensar em si mesmos e em seu dinheiro. Você sabe, vocês sabem, que o Sudário não tem bolsos. Vocês não podem levar nada com vocês.  Convertam-se ao verdadeiro Deus de Jesus Cristo, queridos irmãos e irmãs! Eu digo a vocês, mafiosos: se não fizerem isto a vida de vocês será perdida e será a pior das derrotas”.

O que eu posso fazer?

 

Nós não podemos seguir Jesus somente com ideias, mas precisamos colocar mãos-à-obra. Seguindo o exemplo de padre Pino que dizia: “Se alguém faz alguma coisa, se pode fazer muito”, o Papa pergunta o que eu posso fazer, pelos outros? Pela Igreja?”:
Não espere que a Igreja faça algo por você, comece você. Não espere que a sociedade o faça, comece você! Não pense em si mesmo, não fuja da sua responsabilidade, escolha o amor! Sinta a vida das pessoas que têm necessidade, escuta o teu povo. Tenham medo, tenham medo, da surdez de não escutar o seu povo.  Este é o único populismo possível: escutar o seu povo, o único "populismo cristão": ouvir e servir o povo, sem gritar, acusar e provocar contendas”.
“ Este é o único populismo possível, o único "populismo cristão": ouvir e servir o povo, sem gritar, acusar e provocar contendas ”
Padre Pino – continuou o Papa - vivia a pobreza, a cadeira no quarto onde estudava estava quebrada, “mas a cadeira não era o centro de sua vida, porque não vivia sentado repousando, mas vivia em caminho para amar. Eis a mentalidade vencedora, eis a vitória da fé, que nasce da doação cotidiana de si. Eis a vitória da fé que leva o sorriso de Deus pelas estradas do mundo. Eis a vitória da fé que nasce do escândalo do martírio”.
“Dar a vida”, disse o Papa ao concluir, “foi o segredo da sua vitória, o segredo de uma vida bela. Hoje, queridos irmãos e irmãs, escolhamos também nós uma vida bela”.

15-09-2018

O REFORMADOR DO CLERO NA ÓTICA DO LEIGO.

                     

Veiculo da Missão: Muito já-se falou e escreveu sobre a biografia de São Vicente de Paulo, nestes 400 anos, fazendo conhecido no serviço aos necessitados, como o Pai da Caridade, Pai dos Pobres, fundador da Congregação da Missão, Companhia das Irmãs da Caridade, AIC, sendo o modelo da Caridade para diversos ramos da família vicentina, e outras congregações religiosas que nasceram nos últimos quatro séculos.


Nossa reflexão de leigo, dentro das comemorações do aniversário dos 400 anos de São Vicente de Paulo, não tem a pretensão de republicar os dados históricos de sua biografia e sim voltar no tempo, e caminhar junto com Pe. Vicente de Paulo, nas periferias existenciais da época e levar o amigo(a) leitor que visita este veiculo de comunicação, a contextualizar com o mundo eclesial atual, onde todos estamos inseridos.

Para entrarmos no barco e navegar até o tempo do Pe.Vicente de Paulo, compartilho com você uma reflexão do arcebispo da arquidiocese de Curitiba, feito no inicio deste ano de 2017, com os agentes e coordenações de Pastorais e Movimentos da arquidiocese, no Santuário Diocesano do Sagrado Coração de Jesus, no Bairro Água Verde, onde Dom José Antonio Peruzzo, levou todos a seguinte reflexão:

Antes do Concilio Vaticano II, o Povo de Deus, vivia dentro de uma estrutura eclesial, uma espécie de "Piramide" onde em cima da Piramide, ficava o Clero, e embaixo da "Piramide", ficava os escravos.

Dom Peruzzo: dentro de uma espécie de estrutura eclesial de "Piramide". o Clero funcionava como que tivesse um monopólio, e através deste monopólio, passava a ser como que os concessionários da verdade, se consideravam os donos da verdade, e o Povo de Deus, tinha o papel de apenas obedecer os concessionários da verdade e era isso; 

E graças a Deus, isso mudou, após o Concilio Vaticano II.

Veiculo da Missão: Voltando ao barco e navegando até a França no século XVII, é dentro deste contexto, que encontramos a igreja, onde está inserido o Povo de Deus, nos dias de Vicente de Paulo.


Os concessionários da verdade "Clero" não tinha formação e dentro do corporativismo nascia Bispos, e estes sem muita formação, ordenava os Padres, que muitas vezes, nem estudava o básico e viviam nos palácios em  uma obesidade espiritual.

O jovem Vicente de Paulo, de família pobre e muito humilde, a exemplo de outros, quer se dar bem na vida e decide ir para o seminário ser Padre, para ganhar dinheiro e ficar rico.

A pressa erá tanto em ganha dinheiro, que Vicente de Paulo, engabelou o Bispo e foi ordenado muito jovem com apenas 19 anos.

Ordenado Padre, Vicente de Paulo, vai ao encontro das famílias mais ricas, se encosta no sistema politico de governo, e conquista a todos(as) se tornando um Padre Rico, e vivendo junto a nobreza na alta sociedade de seu tempo.

Depois de caminhar pelo deserto, e estando vivendo junto a alta sociedade, um certo dia Pe.Vicente de Paulo, olha para Cruz de Cristo, e começa uma reflexão, onde percebe que não está sendo coerente com sua missão de Padre, pois Jesus Cristo, foi aquele que acolheu os pobres, enfermos, injustiçados, marginalizados e após uma profunda reflexão decide ir ao encontro do Povo que sofre, ficando junto daqueles que não tinha mais esperança em Deus, e nem voz na sociedade.

O processo de conversão, o transformou em um novo Padre; O homem do encontro, aquele que vai as periferias existenciais ao encontro do Povo sofrido, e se depara diante da triste realidade do Povo, que vive como ovelhas sem Pastor.

O Homem do Encontro, sofrendo, rezando e acolhendo o Povo, nas periferias existenciais, ganha toda a confiança do Povo; "Pois o Povo começa a sentir que Deus gosta dos Pobres" e Pe.Vicente de Paulo se torna o grande líder daquele tempo, um mistico visionário, que conhecendo a realidade do Clero, soube com inteligencia e sabedoria, iniciar a reforma do Clero, partindo das periferias e atendendo as necessidades espirituais e sociais do Povo de Deus, criando a Confraria do Rosário, para que os enfermos, diante do sofrimento, tivesse um meio para aliviar a dor, do corpo e da alma, e através da devoção ao Rosário,  pudesse conversar com Deus.

Visionário é um Homem de Visão; um Homem que consegue enxergar além de seu tempo, e este foi Pe.Vicente de Paulo, que vendo o povo doente, com o mal do século, nas periferias existenciais, trabalha para que-se tenha sacerdotes, bem formados, que atenda o Povo de Deus, com a caridade em suas necessidades espirituais, realizando confissões e dando esperança ao Povo de Deus, através da Boa Noticia de Jesus Cristo.

No ano 1617, instituiu a Congregação da Missão, dos Padres de São Lazaro: Lazaristas, hoje mais conhecido como Padres Vicentinos, e no ano de 1633 instituiu a Companhia das Irmãs da Caridade, hoje conhecida como irmãs Vicentinas.

Hoje, após o Concilio Vaticano II, na força do Espirito Santo de fato a igreja está sendo a cada dia transformada, mais muitos que nasceram antes do Concilio Vaticano II, e outros que nasceram depois, ainda continua presos em seus projetos pessoais, dentro dos Palácios.

É dentro deste contexto eclesial,  que precisamos hoje de São Vicente de Paulo.

E hoje estamos aqui, com os talentos, para contribuir com São Vicente de Paulo, na construção do Reino de Deus, sendo parte de sua família, e sua herança. 

E Viva São Vicente de Paulo!!

Matéria: Tarcísio Cirino 
10-12-2017

MENSAGEM EM VÍDEO DO PAPA FRANCISCO.

 Papa Francisco: em outubro rezar o Terço

Papa convida os fiéis do mundo, neste mês de outubro, a uma Corrente de Oração pela Santa Igreja.
Manoel Tavares - Cidade do Vaticano
Foi publicado, nesta terça-feira, no Vaticano, um Vídeo do Papa com a intenção de oração para o mês de outubro, para rezar o Terço pela Igreja.
Trata-se de uma “Corrente de Oração” a Maria e a São Miguel Arcanjo para proteger a Igreja contra o demônio, que tenta dividir a comunidade cristã. Eis o que diz o Papa:
“ O diabo apresenta-se com grande poder, oferecendo-nos presentes, mas não sabemos o que tem dentro. Renovo o convite a todos para rezar o Terço, todos os dias, no mês de outubro, concluindo com a antífona ‘sob a sua proteção’, e a oração a São Miguel Arcanjo, contra os ataques do maligno, que quer dividir a Igreja. ”
Eis o forte convite que Francisco faz em seu Vídeo, difundido pela Rede Mundial de Oração do Papa. Estas palavras foram pronunciadas após a oração dominical do Angelus, no ultimo dia 7, ao recordar a festa de Nossa Senhora do Rosário e a tradicional Súplica no Santuário de Pompeia, presidida, naquele dia, pelo Cardeal Mário Zenari, Núncio apostólico na Síria.
Esta intenção do Papa é dirigida aos fiéis de todos os continentes, para que, mediante uma “Corrente de oração”, peçam a proteção de Maria sobre a Igreja, nestes tempos difíceis. Este pedido do Papa havia sido publicado, pela Sala de Imprensa da Santa Sé, no dia 29 de setembro, quando Francisco confiou esta sua intenção ao Padre jesuíta, Frédéric Fornos, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, para que fosse difundida neste mês de outubro.

FRANCISCO: AI DOS CRISTÃOS HIPÓCRITAS..

Papa: Ai dos cristãos hipócritas, que deixam Jesus na Igreja

Na homilia da missa na Casa Santa Marta, o Papa convida a refletir sobre a hipocrisia dos justos, que vivem o cristianismo “como um costume social”.
Alessandro Di Bussolo – Cidade do Vaticano
Nós que nascemos numa sociedade cristã, corremos o risco de viver o cristianismo “como um costume social”, formalmente, com a “hipocrisia dos justos”, que têm “medo de deixar-se amar”. Na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta, o Papa convida todos a um exame de consciência, comentando o Evangelho de São Lucas e a advertência de Jesus aos habitantes de Betsaida, Corazim e Cafarnaum, que não acreditaram nele não obstante os milagres.
Jesus “está triste por ter sido rejeitado”, explicou Francisco, enquanto cidades pagãs como Tiro e Sidônia, vendo os seus milagres “com certeza teriam acreditado”. E chora, “porque essas pessoas não foram capaz de amar”, enquanto Ele “queria chegar a todos os corações com uma mensagem que não era uma mensagem ditatorial, mas era uma mensagem de amor”.

Cristianismo formal

Vamos nos colocar no lugar dos habitantes das três cidades, prosseguiu o Papa. “Eu que recebi muito do Senhor, nasci numa sociedade cristã, conheci Jesus Cristo, conheci a salvação”, fui educado à fé. E com muita facilidade me esqueço de Jesus. Depois, ao invés, “ouvimos notícias de outras pessoas que ouviram o anúncio de Jesus, se converte e o segue”. Mas nós, comentou o Pontífice, estamos “acostumados”.
E esta é uma atitude que nos faz mal, porque reduzimos o Evangelho a um fato social, sociológico, e não a uma relação pessoal com Jesus. Jesus fala a mim, fala a você, fala a cada um de nós. A pregação de Jesus é para cada um de nós. Como é possível que aqueles pagãos, que ao ouvirem a pregação de Jesus o seguem, e eu, que nasci aqui, numa sociedade cristã, me acostumo, e o cristianismo é como se fosse um costume social, uma veste que visto e depois a deixo? E Jesus chora sobre cada um de nós quando nós vivemos o cristianismo formalmente, não realmente.

Hipocrisia dos justos

Se agimos assim, esclareceu Francisco, somos um pouco hipócritas, com a hipocrisia dos justos.
Há a hipocrisia dos pecadores, mas a hipocrisia dos justos é o medo ao amor de Jesus, o medo de deixar-se amar. E, na realidade, quando nós fazemos isso, nós tentamos administrar a relação com Jesus. “Sim, eu vou à Missa, mas você fique na Igreja que eu depois vou para casa”. E Jesus não volta conosco para casa: na família, na educação dos filhos, na escola, no bairro…

Exame de consciência

E assim Jesus permanece lá na Igreja, comentou Francisco amargurado, “ou permanece no crucifixo ou na imagem”.
Hoje pode ser para nós um dia de exame de consciência, com este refrão: “Ai de ti, ai de ti”, porque eu dei muito, dei a mim mesmo, escolhi você para ser cristão, ser cristã, e você prefere uma vida pela metade, uma vida superficial: um pouco sim de cristianismo e água benta, mas nada mais. Na realidade, quando se vive esta hipocrisia cristã, o que nós fazemos é expulsar Jesus do nosso coração. Fazemos de conta tê-lo conosco, mas o expulsamos. “Somos cristãos, orgulhosos de sermos cristãos”, mas vivemos como pagãos.
Cada um de nós, concluiu o Papa, deve pensar: “Sou Corazim? Sou Betsaida? Sou Cafarnaum?”. E se Jesus chora, pedir a graça de chorar também nós. Com esta oração: “O Senhor me deu muito. O meu coração é tão duro que não o deixa entrar. Pequei de ingratidão, sou um ingrato, sou uma ingrata”. “E peçamos ao Espírito Santo que nos escancare as portas do coração, de modo que Jesus possa entrar e não só ouçamos Jesus, mas ouçamos a sua mensagem de salvação e “assim dar graças por tantas coisas boas que ele fez por cada um de nós”.

PAPA FRANCISCO: QUEM É O BISPO?

DISCURSO DO PAPA FRANCISCO  NA SALA CLEMENTINA
AOS BISPOS DOS TERRITÓRIOS MISSIONÁRIOS 
QUE PARTICIPAM NO SEMINÁRIO PROMOVIDO PELA CONGREGAÇÃO 
PARA A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS. 

O Seminário teve inicio na última segunda-feira, 3 setembro e prosseguira até o próximo dia 15, no Pontifício Colégio São Paulo em Roma, onde participam 74 bispos de 34 países dos quatro continentes.  

Caros Irmãos, bom dia!
Tenho o prazer de conhecê-lo em seu seminário de treinamento. Com vocês saúdo as comunidades que lhe foram confiadas: os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, os catequistas e os fiéis leigos. Sou grato ao Cardeal Filoni pelas palavras que ele me dirigiu e também agradeço ao Arcebispo Rugambwa e ao Mons. Dal Toso.

Quem é o bispo?  Vamos nos questionar sobre nossa identidade como pastores, a fim de ter mais consciência deles, mesmo que saibamos que não há um padrão-modelo idêntico em todos os lugares. O ministério do bispo estremece, tão grande é o mistério que carrega dentro de si. Graças ao derramamento do Espírito Santo, o bispo está configurado para Cristo, o Pastor e Sacerdote. É chamado, isto é, ter as características do Bom Pastor e fazer o coração do sacerdócio, isto é, a oferta da vida . Portanto, ela não vive por si mesma, mas se esforça para dar vida às ovelhas, em particular àqueles fracos e ameaçados de extinção. É por isso que o bispo nutre uma compaixão genuína para a multidão de irmãos que são como ovelhas sem pastor (cf. Mc6.34) e para aqueles de várias maneiras são descartados. Peço-lhe que tenha gestos e palavras de conforto especial para aqueles que experimentam marginalidade e decadência; mais do que os outros, eles precisam perceber a predileção do Senhor, da qual vocês são as mãos cuidadosas.

Quem é o bispo?  Gostaria de esboçar três traços essenciais com você: um homem de oração, um homem de proclamação e um homem de comunhão.
Orando homem . O bispo é o sucessor dos apóstolos e como os apóstolos são chamados por Jesus para ficar com ele (cf. Mc 3,14). Lá ele encontra sua força e sua confiança. Em frente ao tabernáculo ele aprende a se confiar e confiar-se ao Senhor. Então amadurecer nele a percepção de que mesmo durante a noite, ao dormir, ou durante o dia, entre fadigas e suor no campo que cresce, amadurece semente (cf. Mc 4,26-29). 

A oração não é pela devoção do bispo, mas pela necessidade; não um compromisso entre muitos, mas um indispensável ministério de intercessão : ele deve trazer pessoas e situações todos os dias diante de Deus. Como Moisés, ele estende as mãos ao céu para o seu povo (cf. Êx 17, 8-13) e é capaz de insistir com o Senhor (cf.Ex 33.11-14), negociar com o Senhor, como Abraão. parrhesia da oração. Uma oração sem parrhesia não é oração. Este é o pastor que reza! Alguém que tenha a coragem de discutir com Deus por seu rebanho. Ativo em oração, ele compartilha a paixão e a cruz de seu Senhor.


 Nunca satisfeito, ele constantemente tenta assimilar-se a ele, no caminho para se tornar como Jesus a vítima e altar para a salvação de seu povo. E isso não vem de saber muitas coisas, mas de conhecer uma coisa todos os dias em oração: "Jesus Cristo e Cristo crucificado" ( 1 Cor.  2.2). Porque é fácil carregar uma cruz no peito, mas o Senhor nos pede para trazer um peso muito mais pesado nos ombros e no coração: ele nos pede para compartilhar sua cruz. Peter, quando ele explicou aos fiéis que eles devem fazer os diáconos recém-criadas, acrescenta - e também se aplica a nós, bispos: "A oração e pregação da Palavra." Em primeiro lugar, oração. Eu gosto de fazer a pergunta a cada bispo: "Quantas horas por dia você reza?".
Ad Man . Sucessor dos apóstolos, o bispo percebe com precisão o mandato que Jesus lhes deu: "ide proclamar o Evangelho" ( Mc16, 15). "Vai": o Evangelho não se anuncia enquanto está sentado, mas no caminho. O bispo não vive no escritório, como dirigente de empresa, mas entre as pessoas nas ruas do mundo, como Jesus. Ela traz seu Senhor, em que não é conhecida, onde é desfigurado e perseguidos. E saindo de si mesmo, ele se encontra. Não tem o prazer de conforto , não gosta da vida tranquila e não economizar energia, você não ouvir Prince, esforça-se para os outros, abandonando-se a fidelidade de Deus. Se julgados e detém títulos deste mundo, não seria um verdadeiro apóstolo do Evangelho.
E qual é o estilo do anúncio? Testemunhe humildemente o amor de Deus, assim como Jesus, que foi humilhado pelo amor. A proclamação do Evangelho sofre as tentações do poder, do contentamento, do retorno da imagem, do mundanismo. Mundanismo. Cuidado com o mundanismo. Há sempre o risco de curar a forma da substância, de transformar-se em atores, em vez de testemunhas, de diluir a Palavra da salvação, propondo um Evangelho sem o Jesus crucificado e ressuscitado. Mas vocês são chamados a ser memórias vivas do Senhor , para lembrar à Igreja que anunciar significa dar vida, sem meias medidas, até mesmo pronto para aceitar o auto-sacrifício total.

E terceiro, um homem de comunhão . O bispo não pode ter todos os dons, todos os carismas - alguns acreditam que eles têm, coitadinhos! - mas ele é chamado a ter o carisma do todo , isto é, manter unido, solidificar a comunhão. A Igreja precisa de união, não solistas fora do coro ou de líderes de batalhas pessoais. O pastor reúne: um bispo para seus fiéis, ele é um cristão comseus fiéis. Ele não faz notícia nos jornais, não busca o consentimento do mundo, não está interessado em proteger seu bom nome, mas adora tecer a comunhão envolvendo-se na primeira pessoa e agindo com uma demissão. Ele sofre de uma falta de liderança, mas vida enraizada no território, rejeitando a tentação de partidas frequentes da Diocese - a tentação de "bispos Airport" - fugir e encontrar suas glórias.

Não fique cansado de ouvir. Não se baseia em projetos feitos à mesa, mas deixa-se questionar pela voz do Espírito, que adora falar pela fé dos simples. Torne-se um com o seu povo e acima de tudo com o seu presbitério, sempre disponível para receber e encorajar os seus sacerdotes. Ele promove pelo exemplo, ao invés de palavras, uma genuína fraternidade sacerdotal, mostrando aos sacerdotes que eles são Pastores para o rebanho, não por razões de prestígio ou carreira, o que é tão ruim. Não sejam alpinistas, por favor, nem ambiciosos: alimentem o rebanho de Deus "não como senhores do povo confiado a vós, mas fazendo-vos modelos do rebanho" ( 1 Pe 5,3).

E então, queridos irmãos, fogem do clericalismo, "maneira anômala de entender a autoridade na Igreja, muito comum em muitas comunidades nas quais ocorreram comportamentos de abuso de poder, consciência e sexualidade". O clericalismo - corrói a comunhão, na medida em que "gera uma divisão no corpo eclesial que fomenta e ajuda a perpetuar muitos dos males que hoje denunciamos". Dizer não ao abuso - seja de poder, de consciência, qualquer abuso - significa dizer fortemente não a qualquer forma de clericalismo "( Carta ao Povo de Deus , 20 de agosto de 2018). Portanto, você não sente senhores do rebanho - você não é o dono do rebanho - mesmo que outros o façam ou se certos costumes locais o favorecerem. O povo de Deus, para quem e para quem você é ordenado, sente-se pai, não mestre; pais atenciosos: ninguém deve mostrar atitudes de submissão a você. Nesta conjuntura histórica, certas tendências de " líder " parecem acentuar-se em várias partes Mostrar a si mesmo como homem forte, que mantém distância e domínio sobre os outros, pode parecer confortável e cativante, mas não é evangélico. Muitas vezes danifica danos irreparáveis ​​ao rebanho, pelo qual Cristo deu sua vida com amor, rebaixando-se e aniquilando-se. Portanto, sejam homens pobres em posses e ricos em relacionamentos, nunca duros e rabugentos, mas afáveis, pacientes, simples e abertos.

Eu também gostaria de pedir que você cuide, em particular, de algumas realidades:
Famílias . Embora penalizados por uma cultura que transmite a lógica do provisório e favorece os direitos individuais, eles permanecem as primeiras células de toda sociedade e as primeiras Igrejas, porque são igrejas domésticas. Promover cursos de preparação para o casamento e acompanhamento para as famílias: serão porcas que darão fruto na época. Defenda a vida da concebida como a dos idosos, apóie os pais e os avós em sua missão.

Os seminários . Eles são os viveiros de amanhã. Lá você está em casa. Verifique cuidadosamente se são guiados por homens de Deus, educadores capazes e maduros, que, com a ajuda das melhores ciências humanas, garantem a formação de perfis humanos saudáveis, abertos, autênticos e sinceros. Dar prioridade ao discernimento vocacional para ajudar os jovens a reconhecer a voz de Deus entre os muitos que reverberam nos ouvidos e no coração.

Jovens , portanto, a quem o próximo Sínodo será dedicado. Escutemos, nos deixemos provocar por eles, acolhamos desejos, dúvidas, críticas e crises. Eles são o futuro da Igreja, eles são o futuro da sociedade: um mundo melhor depende deles. Mesmo quando parecem estar infectados pelos vírus do consumismo e do hedonismo, nunca os colocamos em quarentena; vamos experimentá-los, sentimos seu coração implorando pela vida e implorando por liberdade. Oferecemos-lhes o Evangelho com coragem.
Os pobres.  Amá-los significa lutar contra toda a pobreza, espiritual e material. Dedique tempo e energia ao último, sem medo de sujar as mãos. Como apóstolos da caridade, vocês alcançam as periferias humanas e existenciais de suas dioceses.

Finalmente, queridos irmãos, sejam cautelosos, peço-lhes, da indiferença que leva à mediocridade e à indolência, que "démon de midi". Seja cauteloso com isso. Cuidado com a tranquilidade que evita o sacrifício; de pressa pastoral que leva à intolerância; da abundância de bens que desfiguram o Evangelho. Não se esqueça que o diabo entra nos bolsos! Desejo-lhe, ao contrário, a santa inquietude pelo Evangelho, a única inquietude que dá paz. Agradeço-lhe por ouvir e abençoar você, na alegria de tê-lo como o mais querido entre os irmãos. E peço a você, por favor, que não esqueça de orar e orar por mim. Obrigado.

08-09-2018.