terça-feira, 23 de abril de 2019

A HISTÓRIA DAS CAPELINHAS: QUAL É O MISTÉRIO DO MOVIMENTO DE NOSSA SENHORA?

A primeira visita de Nossa Senhora das capelinhas no Brasil, aconteceu no ano 1914, através da aprovação e benção do arcebispo de Mariana: Dom Silvério Gomes Pimenta, que deu início a organização da igreja doméstica, através da visita domiciliar das capelinhas de Nossa Senhora, de onde rapidamente chegou a capital de Minas Gerais, e expandiu para outras dioceses do Brasil.

Mariana nos dias atuais é bastante conhecida através dos noticiários nas grandes mídias e particularmente me faz pensar na irresponsabilidade das Políticas Públicas, através da lama que destruiu uma comunidade e depois Brumadinho, de onde a lama ceifou muitas vidas.

A lama que por décadas, escravizou o povo e no mistério estou a refletir a lama do Rio Paraíba, onde permaneceu a imagem de Nossa Senhora Aparecida a Padroeira do Brasil.

Talvez o amigo leitor, esteja ai se perguntando; mais como as capelinhas de Nossa Senhora, chegaram ao arcebispo Dom Silvério Gomes Pimenta em Mariana -Minas Gerais - Brasil?

Bom é a história que vamos contar a partir de agora, para que você conheça, e possa transmitir as próximas gerações de onde e  como nasceu o movimento de Nossa Senhora das Capelinhas no mundo.

Eu sou Tarcísio Cirino,  e no governo do arcebispo Dom Moacyr José Vitti em Curitiba, fui convidado a ser o assessor de comunicação do Movimento de Capelinhas, e após anos de pesquisas, estou levando a conhecimento de todos a história de como nasceu o Movimento de Capelinhas e como este movimento de leigos da Igreja, chegou ao Brasil.

ORIGEM DO MOVIMENTO.

Na progressista cidade de Guayaquil em 26 de agosto 1888 na República do Equador, teve inicio a visita domiciliar das capelinhas de Nossa Senhora, através do Cônego José Maria Santistevan, que organizou as capelinhas de Nossa Senhora, sob a denominação de "Visita Circulante do Imaculado Coração de Maria".

Do Equador estendeu-se pelo caminho ás Republicas do Chile, Argentina, Perú, Bolívia, Colômbia, Uruguai, Panamá, Cuba, Estados Unidos; com as bençãos dos episcopados e sob as atividades e direção dos Missionários Cordimarianos, que através das pregações, gerou frutos.

ORIGEM DAS DIRETRIZES DO MOVIMENTO.

Em 26 agosto de 1913, o apostólico missionário cordimariano P. D. Jánariz, sob as normas e estatutos que deve reger a organização das capelinha de Nossa Senhora, fundou na cidade de Aranda de Duero, na Espanha a visita domiciliar de Nossa Senhora das capelinhas, inscrevendo 600 famílias na cerimônia de instalação.

No final de 1914 a "Obra da Visita Circulante" do Chile, publicou na tipografia "Claret" um precioso e interessante Manual de 87 páginas, aprovado, com a data de 5 de Novembro de 1913, pelo Exmo. Sr. Internúncio Apostólico daquela República e em 16 de abril de 1914, foi aprovado por S.Exia. o Sr. Arcebispo de Santiago.

Da Espanha depois da aprovação do Sr. Núncio apostólico de sua Santidade, e das autoridades eclesiásticas em 18 Janeiro de 1914, com aprovação de mais de 40 Bispos, a igreja doméstica de Nossa Senhora das Capelinhas, espalhou-se para a França, Itália, Alemanha, Inglaterra, Portugal, e da Europa os missionários levaram o movimento de capelinhas para a Africa, Ásia, e Oceânia, conforme registro ( Cfr. "Manual de la Visita Domiciliária del L.C de Maria", pelo P. D. Janáriz - Madri, 1923).

No Brasil, com aprovação e benção do Arcebispo de Mariana em Minas Gerais, o movimento de Nossa Senhora se espalhou e vale lembrar que o território da arquidiocese no contexto da época era grande, e as capelinhas de Nossa Senhora, foi chegando em outras dioceses do Brasil, e chegou a arquidiocese de Curitiba, no governo do arcebispo Dom Ático Eusébio da Rocha; e teve inicio a organização das capelinhas, através do Missionário Claretiano Pe. Roberto Perez, que motivou a visita das capelinhas de Nossa Senhora aos domicílios das famílias da Paróquia Imaculado Coração de Maria, no bairro Água Verde, Curitiba, com a inauguração em 26 agosto de 1937.

ARQUIDIOCESE DE CURITIBA.

Da Paróquia Imaculado Coração de Maria, as capelinhas de Nossa Senhora, foi se espalhando por toda Curitiba, e nas diversas cidades do Estado do Paraná, de onde nasceu muitas comunidades Paroquiais.

No ano 1967, o arcebispo Dom Manuel da Silveira D'Elbox, vendo os frutos do Movimento de Capelinhas, nas Comunidades de Comunidades, e percebendo que muitas Paróquias estava transformando o Movimento de Capelinhas em uma Pastoral; o bom arcebispo, resolveu criar a diretoria Central do Movimento de Capelinhas, do qual o  arcebispo denominava Apostolado das Capelinhas e incumbiu o bispo auxiliar Dom Pedro Fedalto a acompanhar este Apostolado.

Em 1969, o arcebispo Dom Manuel, promoveu em Curitiba, o primeiro Congresso do Movimento de Capelinhas no mundo, e a partir deste evento, o movimento se expandiu para para Santa Catarina, Rio Grande do Sul, outros estados e Países.

Obs: Demais informações do primeiro Congresso do Movimento de Capelinhas no mundo é só clicar neste link:  .http://missoespopulares.blogspot.com/2018/12/50-anos-1-congresso-no-brasil-das.html

Em 2011 a pedido do arcebispo Dom Moacyr José Vitti, foi feito uma pesquisa para saber quantas mensageiras(os), o Movimento de Capelinhas tinha na Arquidiocese de Curitiba, e se concluiu a pesquisa com 10.500 mensageiras(os), onde consideramos o número oficial de 10 mil mensageiras(os).

O  Movimento tem como objetivo: evangelizar as famílias através da visita de Nossa Senhora na capelinha, sendo instrumento propagador da Palavra de Deus; favorecendo a união fraterna, através da oração em especial o terço, para despertar na família as vocações sacerdotais, religiosas, com incetivos material e espiritual, aos seminários.

Dos 100% das doações feita através das famílias que recebe a visita da capelinha de Nossa Senhora, 90% vai para os seminários na  ajuda material da formação do futuro Padre; sendo repassado as doações da seguinte forma.


45% Seminário Religioso
45% Seminário Diocesano
10% Movimento de Capelinhas a nível Paroquial.

Matéria: Tarcísio Cirino.
06-04-2019


REUNIÃO DO MOVIMENTO DE NOSSA SENHORA.

O Movimento vocacional de Nossa Senhora das Capelinhas da arquidiocese de Curitiba; realizou nesta quarta-feira 3 abril, reunião com as coordenações Paroquiais do Movimento e após a reunião geral, aconteceu a reunião da diretoria de forma bastante reflexiva, e frutífera, com a presença do assessor eclesiástico: Pe.Fernando Pieretto, Presidente Carmem Brancaleone,vice-Maria Adelina Marconato, diácono Marconato, coordenações das regiões episcopal, coordenações de Setor, secretárias e tesouraria.
Em síntese:durante a reunião da diretoria, ficou definido que os eventos de formações, promovido pela diretoria do Movimento de Capelinhas da arquidiocese de Curitiba, poderá ser organizado pelas coordenações do Movimento de Capelinhas do Setor, em unidade com a coordenação de região, podendo as coordenações convidar os  Padres do Setor ou da região episcopal, onde está acontecendo o evento, para realizar as formações conforme as necessidades do Movimento e Pastorais do Setor, região, tendo como ponto de partida as diretrizes do Movimento de Capelinhas da arquidiocese de Curitiba, para motivar novas mensageiras(os), para o Movimento de Capelinhas, em prol das necessidades materiais e espirituais dos seminários.
Também ficou acordado que durante o ano 2019, acontecerá um retiro só com a diretoria do Movimento de Capelinhas; e na sequência em data a definir, formação só com as coordenações Paroquiais das (3) três regiões episcopal, para que todas coordenações conheça com profundidade as orientações da arquidiocese através das diretrizes do Movimento, e saiba comunicar com entusiasmo, transmitindo as demais mensageiras(os) das comunidades da Paróquia, e futuras gerações, o belo carisma do Movimento de Capelinhas.

Texto: Tarcísio Cirino
03-04-2019

REFLEXÃO: COMO VENCER A INFESTAÇÃO DO MAL

Não sou especialista no assunto; e nunca gostei de falar sobre as forças da fumaça que vem vagando pelo mundo, a séculos.

E observando o caminho por onde tenho andado e com a experiência de quem trabalha desde jovem, procurando contribuir na construção do reino de Deus, resolvi falar um pouco do vírus que tem contaminado parte das "pessoas" na sociedade, em nosso tempo.

O mal existe, é como um vírus é real, uma infestação que vai vagando como uma fumaça pelo ar, e vai entrando nas pessoas de forma estratégica, e aos poucos vai encantando, seduzindo e dando "sensação de força, poder" ao longo do caminho a outras pessoas na sociedade e aos poucos a fumaça vai destruindo o que é bom na comunidade, no ser humano; criado a imagem e semelhança de Deus.

Essa fumaça com o vírus do encardido por onde passa, vai contaminando até mesmo aqueles que pensam estar vacinados.

Em nosso tempo, é preciso encontrar um antídoto para destruir esse vírus, e me parece que o remédio para que a nossa geração, possa ter forças para vencer o mal e caminhar na Luz: é a espiritualidade que vem da vida de oração.

Na vida de oração, jejum, caridade, alcançaremos a vitória e teremos forças para comunicar a boa noticia do evangelho de Jesus Cristo, e assim prosperará a construção do reino de Deus.

Reflexão: Tarcísio Cirino
13-02-2019

NOSSA SENHORA TEM MOTIVOS PARA SORRIR?

Desde o berço da revolução moderna, o povo vem se afastando do sagrado, esquecendo-se de Deus, e parte dos Pastores tem seguido a trilha.

Pois bem, estamos chegando ao final de mais um tempo de quaresma, que nos leva a  pensar, refletir, o que foi que mudou em minha vida, sua vida, neste tempo em que Deus nos convida a conversão?

Quaresma-me faz lembrar o número 40, e dentro do contexto bíblico o número simboliza o itinerário do percurso da vida humana, até o ultimo respiro, o último dia na casa em comum.

Meditando a paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, o espirito me leva a repensar a mensagem de Nossa Senhora em uma de suas aparições na França, La Salette onde Maria disse: em tempo de quaresma as pessoas não fazem penitência e vão ao açougue, atrás de carne, como que se fosse cães.

Durante o ciclo da vida, em nossa caminhada quaresmal, somos tentados a não acreditar que a Mãe de Deus, saiu do Céu e se colocou a serviço em missão, trazendo em seu rosto lágrimas e uma mensagem, para que todos nós possamos se aproximar de seu filho Jesus e reconciliar com Deus..

Em uma tarde de Sol, 19 setembro 1846; por volta das 15 horas; dois pastorzinhos, Mélanie Calvat 15 anos, Maximino Geraud 11,  tiveram uma visão em uma montanha perto de La Salette com Virgem Maria, que estava vestida com os trajes da região em forma de uma camponesa com vestido longo, touca, avental, sentada em uma grande pedra, com as  mãos no rosto chorando e pediu as crianças orações pelos pecados da humanidade e durante o diálogo, confiou segredo que deveria ser enviado ao Papa.

Segundo parte da mensagem: no ano 1864, Lúcifer e grande número de demônios seria libertados do inferno: Eles abolirão a fé, pouco a pouco e mesmo as pessoas consagradas a Deus; eles vão cegá-las de tal maneira que, exceto por uma graça particular, essas pessoas serão tomadas por espíritos desses anjos maus; muitas casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas.

Os maus livros abundarão sobre a terra, e os espíritos espalharão por toda parte um relaxamento espiritual em tudo aquilo que se refere ao serviço de Deus(....) A verdadeira fé estará extinta e a falsa luz iluminara o mundo (,,,,) Os governantes civis terão todos o mesmo objetivo, que será abolir e fazer desaparecer todo principio religioso, para dar lugar ao materialismo, ao ateísmo, ao espiritismo e a toda espécie de vícios.

Em síntese esta foi a 1° parte de uma série de reflexões que estaremos dando sequência e publicando em breve.
Não perca a 2° parte. 

Reflexão: Tarcísio Cirino
14-04-2019

domingo, 21 de abril de 2019

SHALOM: DESEJAMOS A TODOS UMA FELIZ PÁSCOA


FRANCISCO VAI E RECONSTRÓI A MINHA IGREJA.

Nas periferias, enquanto Francisco orava em uma capela; uma voz saiu por três vezes do crucifixo na parede atrás do altar e disse: Francisco vai e reconstrói a minha igreja-casa, que como vês está ruindo.

Observando o estado material, em que se encontrava a igreja; Francisco pensou que se tratava da pequena capela e saindo, foi atrás de recursos, doações, para ajudar na construção material.

Em nosso tempo, como reconstruir a casa o templo de Deus? 

Hoje somos governado pela bolsa de valores, parece que quase tudo se transformou em um grande negócio e através das Políticas Públicas, o povo nas periferias existenciais já não tem forças para carregar a cruz, pois grande parte de nossa geração, foram crucificados com a falta de emprego, saúde, aposentadoria, moradia, justiça, segurança, etc.

Para reconstruir o templo de Deus, o caminho é encontrar os crucificados, o povo que carrega a cruz no dia a dia, levando a eles, boas notícias, informando a todos;  que Jesus também foi crucificado e por amor a eles, a todos nós; existe esperança para a humanidade. Jesus ressuscitou. Ele está Vivo, e Vive, caminhando conosco em nosso meio.

Shalom: Desejamos a todos uma Feliz Páscoa!

Texto: Tarcísio Cirino
20-04-2019

FRANCISCO, MISSA DO CRISMA: QUEM APRENDE A UNGIR E ABENÇOAR FICA CURADO.

Nesta Quinta-feira Santa (18/04), o Papa Francisco presidiu a Missa do Crisma, na Basílica de São Pedro. Segue, abaixo a Missa em vídeo e texto, com a íntegra da homilia do Pontífice.
O Evangelho de Lucas, que acabamos de ouvir, faz-nos reviver a emoção do momento em que o Senhor Se assume a profecia de Isaías, lendo-a solenemente no meio do seu povo. A sinagoga de Nazaré estava cheia de parentes, vizinhos, conhecidos, amigos... e outros não muito amigos. E todos tinham os olhos fixos n’Ele. A Igreja tem sempre os olhos fixos em Jesus, o Ungido que o Espírito envia para ungir o povo de Deus.
Com frequência, os Evangelhos apresentam-nos esta imagem do Senhor no meio das multidões, cercado e comprimido pelas pessoas que Lhe trazem os doentes, pedem-Lhe que expulse os espíritos malignos, escutam os seus ensinamentos e caminham com Ele. «As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-Me» (Jo 10, 27).
O Senhor nunca perdeu este contacto direto com o povo, sempre manteve a graça da proximidade, com o povo no seu conjunto e com cada pessoa no meio daquelas multidões. Vemo-lo na sua vida pública, mas o mesmo aconteceu desde o princípio: o esplendor do Menino atraiu docilmente pastores, reis e idosos sonhadores como Simeão e Ana. E foi assim também na Cruz: o seu Coração atrai todos a si (cf. Jo 12, 32): verónicas, cireneus, ladrões, centuriões...
Aqui, o termo «multidões» não é depreciativo. Aos ouvidos de alguém, poderia talvez soar como uma massa anónima, indiferenciada; mas no Evangelho, quando as multidões interagem com o Senhor, que Se coloca no meio delas como um pastor no rebanho, vemos que aquelas se transformam: no espírito do povo, desperta o desejo de seguir Jesus, brota a admiração, toma forma o discernimento.
Gostaria de refletir convosco sobre estas três graças que caraterizam o relacionamento entre Jesus e as multidões.
A graça do seguimento
Lucas diz que as multidões «procuravam-No» (Lc 4, 42) e «seguiam com Ele» (Lc 14, 25), «apertavam-No» e «empurravam-No» (cf. Lc 8, 42-45) «juntando-se grande multidões para O ouvirem» (Lc 5, 15). Este seguimento do povo não é calculista, é um seguimento sem condições, cheio de carinho. Contrasta com a mesquinhez dos discípulos, cujo comportamento face ao povo se revela quase cruel quando sugerem ao Senhor que o mande embora para irem procurar algo de comer. Creio que o clericalismo começou aqui: nesta atitude de querer assegurar-se o próprio alimento e comodidade, desinteressando-se das pessoas. O Senhor cortou pela raiz esta tentação. «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6,37), foi a resposta de Jesus: «Ocupai-vos do povo!».
A graça da admiração
A segunda graça, que a multidão recebe ao seguir Jesus, é a duma admiração cheia de alegria. O povo fica admirado com Jesus (cf. Lc 11, 14), com os seus milagres, mas sobretudo com a sua própria Pessoa. O povo gostava muito de saudá-Lo ao longo da estrada, ser abençoado por Ele e bendizê-Lo, como aquela mulher que do meio da multidão bendisse a sua Mãe. E o Senhor, por sua vez, ficava admirado com a fé do povo, regozijava-Se e não perdia ocasião de o fazer notar.
A graça do discernimento
A terceira graça, que recebe o povo, é a do discernimento. «As multidões, que souberam [para onde fora Jesus], seguiram-No» (Lc 9, 11). «A multidão ficou vivamente impressionada com os seus ensinamentos, porque Ele ensinava-os como quem possui autoridade» (Mt 7, 28-29; cf. Lc5, 26). Cristo, a Palavra de Deus feita carne, suscita nas pessoas este carisma do discernimento; certamente, não um discernimento de especialistas em assuntos controversos. Quando os fariseus e os doutores da lei discutiam com Ele, aquilo que o povo reconhecia era a Autoridade de Jesus: a força da sua doutrina, capaz de penetrar nos corações, e o facto de os espíritos malignos Lhe obedecerem; e ainda deixar sem palavra aqueles que urdiam diálogos insidiosos. O povo alegrava-se com isso.
Aprofundemos um pouco esta visão evangélica da multidão. Lucas indica quatro grandes grupos que são destinatários preferenciais da unção do Senhor: os pobres, os prisioneiros de guerra, os cegos, os oprimidos. Nomeia-os em geral, mas depois, no decorrer da vida do Senhor, vemos com alegria que estes ungidos adquirem rosto e nome próprios. Assim como a unção com o azeite se aplica num ponto e a sua ação benéfica se expande por todo o corpo, também o Senhor, assumindo a profecia de Isaías, nomeia várias «multidões» às quais O envia o Espírito, obedecendo a uma dinâmica que poderíamos chamar de «preferência inclusiva»: a graça e o carisma que se dá a uma pessoa ou a um grupo em particular redunda, como toda a ação do Espírito, em benefício de todos.
Os pobres (ptochoi) são aqueles que estão curvados, como os mendigos que se inclinam para pedir. Mas é pobre (ptochè) também a viúva, que unge com os seus dedos as duas moedinhas que constituíam tudo o que tinha naquele dia para viver. A unção daquela viúva para dar a esmola passa despercebida aos olhos de todos, exceto aos de Jesus, que vê com bondade a sua pequenez. Com ela, o Senhor pode cumprir plenamente a sua missão de anunciar o Evangelho aos pobres. Paradoxalmente, são os discípulos que ouvem a boa nova de que existem tais pessoas. Ela, a mulher generosa, nem se deu conta de «ter aparecido no Evangelho» (ou seja, que o seu gesto haveria de ser mencionado no Evangelho): o feliz anúncio de que as suas ações «têm peso» no Reino e contam mais do que todas as riquezas do mundo, ela vive-o dentro de si, como tantos santos e santas de «ao pé da porta».
Os cegos são representados por um dos rostos mais simpáticos do Evangelho: Bartimeu (cf. Mc10, 46-52), o mendigo cego que recuperou a vista e, a partir daquele momento, só teve olhos para seguir Jesus pela estrada. A unção do olhar! O nosso olhar, ao qual os olhos de Jesus podem devolver aquele brilho que só o amor gratuito pode dar, aquele brilho que nos é roubado diariamente pelas imagens interessadas ou banais com que nos submerge o mundo.
Para designar os oprimidos (tethrausmenous), Lucas usa um termo que contém a palavra «trauma». Isto é suficiente para evocar a parábola (talvez a preferida de Lucas) do Bom Samaritano, que unge com azeite e enfaixa as feridas (traumataLc 10, 34) do homem que fora espancado deixando-o meio morto na beira da estrada. A unção da carne ferida de Cristo! Naquela unção, está o remédio para todos os traumas que deixam pessoas, famílias e populações inteiras fora de jogo, como excluídas e supérfluas, à margem da história.
Os prisioneiros são os cativos de guerra (aichmalotos), aqueles que eram conduzidos a ponta de lança (aichmé). Jesus usará o termo para Se referir à prisão e deportação de Jerusalém, sua amada cidade (Lc 21, 24). Hoje as cidades são feitas prisioneiras não tanto a ponta de lança, como sobretudo com os meios mais subtis de colonização ideológica. Só a unção da nossa cultura própria, forjada pelo trabalho e a arte dos nossos antepassados, é que pode libertar as nossas cidades destas novas escravidões.
Concretizando para nós, queridos irmãos sacerdotes, não devemos esquecer que os nossos modelos evangélicos são este «povo», esta multidão com estes rostos concretos, que a unção do Senhor levanta e vivifica. São aqueles que completam e tornam real a unção do Espírito em nós, que fomos ungidos para ungir. Fomos tomados dentre eles e podemos, sem medo, identificar-nos com esta gente simples. Eles são imagem da nossa alma e imagem da Igreja. Cada um encarna o coração único do nosso povo.
Nós, sacerdotes, somos o pobre e queremos ter o coração da viúva pobre quando damos esmola e tocamos a mão do mendigo fixando-o nos olhos. Nós, sacerdotes, somos Bartimeu, e levantamo-nos cada manhã para rezar: «Senhor, que eu veja!» (cf. Mc 10, 51). Nós, sacerdotes, somos, nos vários momentos do nosso pecado, o ferido espancado deixado meio morto pelos ladrões. E queremos ser os primeiros a estar entre as mãos compassivas do Bom Samaritano, para depois podermos com as mãos ter compaixão dos outros.
Confesso-vos que, quando crismo e ordeno, gosto de espalhar bem o Crisma na testa e nas mãos de quantos são ungidos. Ungindo bem, experimenta-se que ali se renova a nossa própria unção. Uma coisa quero dizer: Não somos distribuidores de azeite em garrafa. Ungimos, distribuindo-nos a nós mesmos, distribuindo a nossa vocação e o nosso coração. Enquanto ungimos, somos de novo ungidos pela fé e pela afeição do nosso povo. Ungimos, sujando as nossas mãos ao tocar as feridas, os pecados, as amarguras do povo; ungimos perfumando as nossas mãos ao tocar a sua fé, as suas esperanças, a sua fidelidade e a generosidade sem reservas da sua doação.
Aquele que aprende a ungir e a abençoar fica curado da mesquinhez, do abuso e da crueldade.
Rezemos para que o Pai, ao colocar-nos com Jesus no meio do nosso povo, renove em nós a efusão do seu Espírito de santidade e faça com que nos unamos para implorar a sua misericórdia para o povo que nos está confiado e pelo mundo inteiro. Assim, as multidões dos povos, reunidos em Cristo, podem tornar-se o único Povo fiel de Deus, que terá a sua plenitude no Reino (cf. Oração Consecratória dos Presbíteros).

sexta-feira, 19 de abril de 2019

19 ABRIL: ANIVERSÁRIO DOM JOSÉ ANTÔNIO PERUZZO

Nascido em 19 abril de 1960 na cidade de Cascavel - PR,; o arcebispo da arquidiocese de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo, está de aniversário nesta sexta feira de oração e reflexão.

Nossas orações e desejamos uma Feliz Páscoa.