Mostrando postagens com marcador LITURGIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LITURGIA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de março de 2011

SÍNODO DE 2012 DOCUMENTO PREPARATÓRIO VAI SER APRESENTADO

Vaticano: Sínodo de 2012


Cidade do Vaticano, 01 Mar  – O documento preparatório para o Sínodo dos Bispos de 2011, dedicado ao tema da nova evangelização, vai ser apresentado publicamente no próximo dia 4, revelou a sala de imprensa da Santa Sé.
A conferência de imprensa, no Vaticano, conta com a presença de Nikola Eterović, secretário-geral do Sínodo.
Os chamados «lineamenta» vão ser disponibilizados em oito línguas, incluindo o português.
A 12ª assembleia geral do Sínodo dos Bispos vai decorrer entre 7 e 28 de Outubro do próximo ano, tendo como tema «A nova evangelização para a transmissão da fé cristã».
O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo e tem como tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja, com o seu conselho, para procurar soluções pastorais que tenham validade e aplicação universal.

sábado, 15 de janeiro de 2011

SEGUNDO DOMINGO COMUM (16.01.11) Jo 1, 29-34

“Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”

            O texto de hoje é tirado do Quarto Evangelho, o da Comunidade do Discípulo Amado. Escrito muito depois dos Sinóticos, o quarto evangelho tem como uma das suas características o uso abundante de símbolos, e uma cristologia bastante diferente dos outros três evangelhos. O texto de hoje situa-se no contexto de 1,19 - 2,12, onde, num cenário de sete dias, o autor descreve os sete dias da nova criação, que se dá em Jesus, fazendo paralelismo com o relato de Gênesis.
Diante das dificuldades em explicar o sentido do Batismo e Jesus, que comentamos semana passada, João omite o evento, mas descreve a descida do Espírito Santo sobre Jesus. Usando um símbolo muito conhecido dos primeiros judeu-cristãos, João Batista proclama Jesus como o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. O texto evoca ecos de duas imagens do Antigo Testamento - Jesus é o cordeiro pascal da páscoa cristã, que, pela sua morte, acontecida no exato momento em que os cordeiros pascais estavam sendo abatidos no Templo (Jo 19, 14), salvou o mundo do pecado, da mesma maneira que o sangue do cordeiro pascal original salvou os israelitas do anjo destruidor (Êx 12, 1-13). Em segundo lugar, Jesus é também o Servo de Javé, descrito por Isaías, o Servo Sofredor, que “brutalizado, não abre a boca; como uma ovelha emudece diante dos tosquiadores; ...carregou o pecado das multidões e intercede pelos transgressores” (Is 53, 7-12). João Batista também proclama que Jesus existia antes dele - um tema tipicamente joanino, o da preexistência do Verbo.
            Como o Batista batizava com água, Jesus batizará com o Espírito Santo. Embora talvez o Batista se referisse ao espírito purificador de Deus, de que falavam os profetas como purificador dos corações nos últimos dias (Is 4, 4; Ez 36, 25s; Zc 12, 10; 13, 1;), o evangelista quer que o leitor veja uma referência ao Espírito Santo, dado por Jesus e pelo batismo cristão.
Diferente dos Sinóticos, em João não se fala de uma voz celeste no momento do batismo. Substituindo-a, o próprio Batista dá testemunho: Jesus é o “Eleito” de Deus, sobre quem o Espírito de Deus desceu e permaneceu! Aqui temos mais uma referência ao Servo Sofredor de Isaías (Is 42, 1). A ênfase sobre o fato que o Espírito “permaneceu” sobre Jesus é peculiar ao Quarto Evangelho. O autor quer ressaltar o relacionamento permanente entre o Pai e o Filho, e entre o Filho e os que n’Ele acreditam. Aqui, o Espírito de Deus permanece com Jesus, que o Evangelho vai mostrar ser aquele que o dispensa aos que crêem (Jo 3, 5. 34; 7, 38-39; 20, 22).
Assim, logo no início do Quarto Evangelho, temos toda uma cristologia, através do testemunho do Batista referente a Jesus: Ele é aquele que sempre existia, que morrerá como o Cordeiro Pascal e como o Servo Sofredor, pelos pecados das pessoas, para depois derramar o Espírito Santo sobre o Novo Israel, a comunidade dos discípulos.
O Quarto Evangelho, neste texto, faz do seu jeito o que os Sínóticos fazem com os seus relatos do Batismo de Jesus - proclama Ele como o Eleito do Pai, o Servo de Javé, que manifesta em sua vida a vontade do Pai e que, dando a sua vida, dá a vida eterna para todos os que n’Ele acreditam.

Pe. Tomaz Hughes, SVD

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

FESTA DO BATISMO DO SENHOR (09.01.11) Mt 3, 13-17

“Este é o meu Filho amado, que muito me agrada”

            Hoje, o Domingo depois da Epifania, celebra-se tradicionalmente a Festa do Batismo do Senhor. O batismo de Jesus por João Batista no Rio Jordão é tão importante teologicamente que é tratado por cada um dos quatro evangelistas, cada qual da sua maneira, dependendo da situação da sua comunidade e dos seus interesses teológicos. A história logo se tornou um problema para os primeiros cristãos, pois levantava a questão de como Jesus, sem pecado, podia ter sido batizado e, um ritual de purificação dos pecados. Por isso, Mateus deixa fora a referência de Mc 1, 4 ao perdão dos pecados, a adiciona vv. 14 e 15. Para João, o batismo era tão difícil de ser harmonizado com a sua cristologia, que omite qualquer referência ao atual evento, e no seu lugar, faz com que João Batista indica Jesus como o “Cordeiro de Deus” (Jo 1, 29-34).
            O texto já nos apresenta o programa da vida e missão de Jesus - a justiça do Reino. Em Mateus, a palavra “justiça” designa a fidelidade nova e radical à vontade de Deus. O significado disso será mostrado ao longo do Evangelho. Também Jesus, unindo-se aos pecadores, já está desde o começo rejeitando a visão de um Messianismo triunfante.
Os sinóticos (Mt, Mc e Lc) ressaltam o fato que “o céu se abriu”. Marcos é mais contundente ainda quando enfatiza que “os céus se rasgaram”. É uma maneira simbólica de expressar que em Jesus acontece a união definitiva entre o céu e a terra (At 7, 56; 10, 11-16; Jo 1, 51) e uma revelação celeste (Is 63, 19; Ez 1, 1; Ap 4, 1; 19, 11). A revelação maior é a confirmação da identidade de Jesus como o Servo de Javé. Mateus, escrevendo dentro de um ambiente de polêmica com o judaísmo formativo do fim do primeiro século, muda a tradição original (Mc 1, 9-11; Lc 3, 21-22), onde as palavras do Pai se dirigiam a Jesus, para dirigi-las aos ouvintes :“Este é o meu Filho muito amado, aquele que me aprouve escolher” (v. 17). Estas palavras associam a terminologia de Sl 2, 7, que repete a profecia de Natã em 2Sm 7, 14 (tu és meu filho...) a Is 42, 1 (meu bem amado que me aprouve escolher). A passagem de Isaías apresenta o Servo que não levanta a voz (42, 2), nem vacila, nem é quebrantado (42, 4). (A tradução grega da Septuaginta usou uma palavra que podia expressar tanto o termo hebraico para “filho” como para “servo”). Fazendo fusão desses textos do Antigo Testamento, Mateus une em Jesus duas figuras proféticas - a do Filho da descendência real davídica e do Servo de Javé. Assim, prevê que o messianismo de Jesus implica a vocação do Servo Sofredor, e rejeita pretensões messiânicas triunfalistas. Podemos dizer que o Batismo é para Jesus o assumir público da sua missão como Servo de Javé. A voz do céu confirme a sua opção de vida. O Pai confirma que Ele reconhece Jesus, desde o início do seu ministério público, como seu Filho (Sl 2, 7), seu bem-amado, objeto da sua predileção.
            Um dos sentidos mais importantes do nosso batismo também é o nosso compromisso público com a vontade do Pai. Todos nós podemos sentir a veracidade da mesma frase usada pelo Pai diante de Jesus - cada um de nós também é verdadeiramente filho(a) do Pai celeste (1Jo 3, 1), a quem aprouve escolher-nos. Nada pode fazer com que o Pai abandone esse amor incondicional e gratuito - nem a nossa fraqueza, nem o pecado (Rm 8, 39). Importante é reconhecer que Deus nos amou primeiro, incondicionalmente, e cabe a nós responder a este amor gratuito por uma vida digna de filhos e filhas do Pai, no seguimento de Jesus (1Jo 4, 10-11). Jesus não achou privilégio ser o amado do Pai, mas assumiu as consequências - uma vida de fidelidade, que o levava até a Cruz - e a Ressurreição! (Fl 2, 6-11). Celebrando essa festa litúrgica, renovemos o compromisso do nosso batismo, comprometendo-nos com o seguimento do Mestre, no esforço de criação do mundo que Deus quer, um mundo onde reinam o amor, a justiça e a verdadeira paz. O nosso batismo confirma que somos parceiros de Deus no ato permanente de criação, fazendo crescer o Reino d’Ele, que “já está no meio de nós” (Mc 1, 14).

Pe. Tomaz Hughes, SVD

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

QUARTO DOMINGO DO ADVENTO - 19 DEZEMBRO 2010

Advento 1004: Maria e José

Em nossa preparação para o Natal,
a Liturgia desse 4º Domingo do Advento
nos apresenta duas figuras importantes,
que colaboraram com Deus,
na realização do Plano de Salvação:
MARIA E JOSÉ.

Na 1aLeitura, ISAÍAS anuncia uma Virgem,
que conceberá o "Deus conosco". Is 7,10-14)

O Rei Acaz confia mais no poder do exército dos assírios,
do que na força e na proteção de Deus e sofre um estrondoso fracasso.
Apesar da infidelidade de Acaz, Isaías confirma a fidelidade de Deus
e revela um sinal de esperança:
 "Uma Virgem conceberá e dará à luz um filho (Ezequias),
  e lhe porá o nome de EMANUEL, que quer dizer Deus-Conosco".

- O filho de Acaz, concebido de uma virgem,
  foi um bom rei, consolidou a dinastia de Davi e
  se tornou sinal da presença de Deus no meio do povo.
  Mas criou-se a expectativa de um outro rei, um filho de Davi,
  que cumprisse plenamente a profecia e fosse realmente "Deus conosco".
- Desde o início da era cristã, os cristãos viram
  na figura dessa "virgem" a imagem de Maria, mãe de Jesus;
  e no "Emanuel" o próprio Jesus, o verdadeiro "Deus-conosco".

A 2ª Leitura, Paulo lembra que Jesus é a boa-nova de Deus
há tempos anunciada pelos profetas, nas Sagradas Escrituras,
mas judeu de nascimento, da família de Davi. (Rm 1,1-7)

No Evangelho, vemos a plena realização da promessa:
Jesus é a "Deus-conosco" que vem ao encontro dos homens
para lhes apresentar uma proposta de Salvação.
Ele nascerá de MARIA, esposa de um homem bom, justo e honrado
chamado JOSÉ, descendente de Davi. (Mt 1,18-24)

A narrativa da situação de Maria e José não deve ser vista
como uma descrição de fatos históricos,
mas uma CATEQUESE sobre Jesus

- Jesus vem de Deus: sua origem é divina.
   Maria encontra-se grávida por obra do Espírito Santo.

- Missão de Jesus: o nome  "Jesus" significa "Javé salva".
  Ele mostra que vem de Deus com uma proposta de salvação.



- O seu Nascimento de uma "Virgem" afirma
  que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas,
  enviado por Deus para restaurar o reino de Davi.

- José desempenha um papel importante:
  Pela sua obediência silenciosa, realizam-se os Planos de Deus.
  Confiando na palavra de Deus, penetra na obscuridade do Mistério divino,
  e se incorpora, com plena disponibilidade, no plano salvador de Deus.

- A Virgem Maria nos convida a admirar o que o Senhor operou nela
  e a acreditar na vitória da vida onde nós só enxergamos sinais de morte.

* No Natal, Deus vem ao encontro dos homens para oferecer a Salvação.
   Esse encontro só será possível se tivermos o coração disponível
   para o acolher e para abraçar a sua proposta.

+ O Evangelho nos apresenta DOIS MODELOS de disponibilidade:
duas pessoas que tiveram dúvidas sérias sobre o Plano de Deus,
mas plenamente disponíveis na realização desse Plano.

- MARIA está sempre atenta aos apelos de Deus e
  responde com um "sim" generoso de total disponibilidade...
  Esse "sim" torna possível a presença salvadora de Deus no mundo.

* Sou capaz de dizer "sim" todos os dias,
   de forma que, através de mim,
   Deus possa nascer no mundo e salvar os homens?

- JOSÉ é um homem a quem Deus envolve nos seus planos misteriosos,
  mas que tudo aceita, numa obediência total a Deus.

* Sou capaz de acolher os projetos às vezes misteriosos de Deus,
   com a mesma disponibilidade de José, em obediência total a Deus?

+ Somos convidados a preparar o Natal desse ano,
   com MARIA e JOSÉ...

- Se, como Maria e José,
  acolhermos a mensagem de Deus,
  acreditando nela, superando o medo e a dúvida...

- Se, como Maria e José,
  nos deixarmos engravidar pelo Espírito do Senhor,
  emprestando nosso ser, nosso corpo e nossa mente,
  nosso espírito e nosso tempo, nossa fragilidade e nossa força,
  para que Deus atue em nós...

à toda nossa vida será um NATAL PERENE,
     um contínuo DEUS-CONOSCO...


                                            Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa- 19.12.2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO - 12 DEZEMBRO 2010

Advento 1003: Sinais da Chegada

Advento não é propriamente preparar o Natal,
mas celebrar a chegada do Senhor.
Quais são os sinais da sua chegada?

As Leituras bíblicas são um convite muito forte para a ALEGRIA,
porque o Senhor, que esperamos, já está conosco e
com ele preparamos o Advento do seu Reino.
Por isso, o 3º domingo do Advento é chamado "Domingo da alegria".

A 1ª Leitura é um Hino à ALEGRIA. (Is 35,1-6a.10)

O profeta deseja despertar e fortalecer a esperança dos exilados.
O povo atravessava um dos piores períodos de sua história:
Jerusalém e o templo destruídos, o povo deportado na Babilônia.
Mesmo assim, o profeta prevê a ALEGRIA dos tempos messiânicos:
fala do deserto que vai florir, da tristeza que vai dar lugar à alegria,
Ele libertará os cegos, os coxos, os mudos de suas doenças...
* São SINAIS que indicam a chegada de um mundo novo,
onde não haverá mais lugar para a doença, a dor e o pranto..

Na 2ª Leitura, Tiago convida à espera com PACIÊNCIA. (Tg 5,7-10)

No Evangelho, Jesus mostra que o mundo novo anunciado pelo Profeta
já chegou. O texto tem 3 partes: (Mt 11,2-11)

1. A PERGUNTA de João Batista:
João Batista estava preso... por Herodes... por reprovar o seu comportamento...
No cárcere, ouve falar das obras de Cristo, tão diferente do que se esperava:
Ele anunciara um juiz severo que castigaria os pecadores...
Ao invés, defronta-se com alguém que se aproxima dos pecadores.
Perplexo, envia a Jesus dois discípulos com uma pergunta bem concreta:
   "És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar por outro"?

2. A RESPOSTA de Jesus:
Jesus responde apontando seis sinais concretos de libertação,
já anunciados por Isaías há muito tempo:
   "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo:
    cegos... paralíticos... leprosos... surdos... mortos... pobres evangelizados..."
    E acrescenta:  "Feliz quem não se escandalizar de mim..."
* Jesus mostra a João que as suas obras comprovam a era messiânica,
   mas sob a forma de atos de salvação, não de violência e castigo.

3. O TESTEMUNHO de Jesus sobre João:
- João Batista não é um CANIÇO que verga conforme o vento:
  não é um pregador oportunista que se adapta conforme a situação.
- Não é um CORRUPTO que vive na fortuna e no luxo...
- É muito mais que um PROFETA... "É o maior dos nascidos de mulher".
= Mas, com surpresa, acrescenta:
   "No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele".

* Os que já pertencem ao Reino transcendem àqueles
   que o precederam e prepararam.
   Declaração implícita da superioridade do Novo sobre o Antigo Testamento;
   da Igreja sobre a Sinagoga; da Lei de Cristo sobre a Lei de Moisés.

+ A Ação libertadora de Deus deve continuar na História
    através de gestos concretos dos seguidores de Cristo.

A resposta de Jesus a João Batista foi clara:
"Ide contar a João o que estais OUVINDO e VENDO..."
Pelos "sinais", que podiam ver e ouvir, Jesus comprovava
a presença salvadora e libertadora de Deus no meio dos homens.
Para perpetuar no mundo a ação salvadora e libertadora de Deus,
os "Sinais", que Jesus realizava então,
devem continuar acontecendo agora, através dos seus seguidores.
- Em nossa vida e nossas comunidades há gestos de salvação e libertação
que são sinais que o Reino de Deus já chegou?

- Os "surdos", fechados num mundo sem comunicação e sem diálogo,
encontram em nós a Palavra viva de Deus
que os desperta para a comunhão e para o amor?
- Os "cegos", encerrados nas trevas do egoísmo ou da violência,
encontram em nós o desafio que Deus lhes apresenta de abrir os olhos à luz?
- Os "coxos", privados de movimento e de liberdade,
escondidos atrás das grades em que a sociedade os encerra,
encontram em nós a Boa Nova da liberdade?
- Os "pobres", sem voz nem dignidade, sentem em nós o amor de Deus?
   * O que significa hoje recuperar a vista aos cegos, a capacidade
      de andar aos coxos, a audição aos surdos, a ressurreição aos mortos?
        
+ A Liturgia de hoje é um convite forte à alegria:
   "Alegrai-vos sempre no Senhor, de novo vos digo:
    alegrai-vos: o Senhor está perto". (Ant de Entrada)

O mundo vive carente de alegria.
A depressão tornou-se a doença dos tempos modernos.
Muitos, na ânsia de ter alegria, agarram-se a coisas e pessoas,
que, só lhes conseguem proporcionar momentos fugazes de prazer.

A Boa Nova trazida no Natal é mensagem de alegria...
Gabriel na anunciação... Isabel na visitação... Maria no Magnificat...
os Anjos aos pastores...

A ALEGRIA é uma característica de nossas Comunidades?
Somos semeadores de alegria ou motivo de dor e tristeza?

                                            Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 12.12.2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Comum 1034: Nosso Rei

  Com a solenidade de Cristo, REI DO UNIVERSO,
encerramos hoje o Ano Litúrgico (Ciclo C).

Os reinos estão, hoje, muito desacreditados.
No entanto, na Bíblia, o tema é muito usado,
no Antigo e no Novo Testamento.

A Palavra de Deus deixa claro, que é uma realeza diferente,
que se exerce no amor, no serviço, no dom da vida.



Na 1ª Leitura Davi é ungido REI de todo o Povo de Israel. (2Sm 5,1-3)

O seu reino tornou-se símbolo do Reino de paz e de justiça,
que um dia Deus teria instaurado na terra.
Os Profetas prometeram a chegada de um descendente de Davi,
que iria realizar esse sonho.
Israel esperou durante muitos séculos essa Vinda.

O Evangelho apresenta a realização dessa promessa:
o NOSSO REI preside esse Reino no Trono da CRUZ. (Lc 23,35-43)

A Cena é surpreendente e decepcionante para os homens.
Cristo não aparece sentado num trono de ouro,
mas pregado numa cruz, com uma horrível coroa de espinhos na cabeça,
com uma irônica inscrição pregada na cruz:
"Jesus Nazareno REI dos Judeus".

Ele não está rodeado de súditos fiéis, que o louvam,
mas dos chefes dos judeus que o insultam, e dos soldados que o escarnecem.
Nada o identifica com poder, com autoridade, com realeza terrena.

- Contudo, a inscrição, irônica aos olhos dos homens,
descreve com precisão a situação de Jesus, na perspectiva de Deus:
Ele é "rei", que preside, da cruz, a um "Reino"
de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida.

- O quadro é completado por uma cena bem significativa...
Ao lado de Jesus estão dois malfeitores, crucificados com ele.
Enquanto um o insulta, representando os que recusam a proposta do "Reino",
o outro, no suplício da cruz, reconhece a realeza de Jesus e pede um lugar nele. Jesus lhe garante: "Hoje mesmo estarás comigo no paraíso".

* A cruz é o Trono, em que se manifesta plenamente a realeza de Jesus,
   que é perdão e vida plena para todos.
   A Cruz é a expressão máxima de uma vida feita Amor e Entrega;

Na 2ª leitura Paulo apresenta um Hino litúrgico da Igreja primitiva,
que celebra a Soberania absoluta de Cristo na Criação e na Redenção.  
Cristo é o CENTRO da vida e da história. (Cl 1,12-20)

* Esta centralidade de Cristo está presente em nossa vida e
   na reflexão, na catequese e na vida da Comunidade cristã,
   ou há outros deuses (ou "santos") que ocupam o seu lugar?

+ A liturgia afirma:
"Seu Reino, Eterno e Universal, é o Reino da Verdade e da Vida, Reino
da Santidade e da Graça. Reino da Justiça, do Amor e da Paz". (Prefácio)

+ Lendo o Evangelho, vemos que:
- A Missão de Cristo nessa terra foi precisamente inaugurar o Reino de Deus...
- A Missão da Igreja consiste em continuar na História
  o anúncio do Reino de Deus e convocar os homens para construí-lo na terra.
- Jesus nos convida a fazer parte desse Reino e a trabalhar 
   para que esse Reino chegue ao coração de todos.
   É justamente essa a missão do LEIGO, cuja festa hoje celebramos:
   Ser "Protagonista da Evangelização". (Santo Domingo)

É também o que ele nos convida a rezar no Pai Nosso:
"Venha a nós o vosso Reino!"

+ Celebrar a festa de Cristo Rei
- Não é celebrar um Deus forte, dominador,
  que se impõe aos homens do alto de sua onipotência e
  que os assusta com gestos espetaculares;
- é celebrar um Deus que serve, que acolhe e
  que reina nos corações com a força desarmada do amor.
  A CRUZ é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e
  escolhe reinar no coração dos homens através do amor e do dom da vida.

+ Por isso, a festa de Cristo Rei nos convida a repensar
   a nossa existência e os nossos valores.

- Diante deste "rei" despojado de tudo e pregado numa cruz,
  não nos parecem completamente ridículas as nossas pretensões
  de honras, de glórias, de títulos, de aplausos, de reconhecimento?

- Diante deste "rei" que dá a vida por amor,
  não nos parecem completamente sem sentido
  as nossas manias de grandeza,
  as lutas para conseguirmos mais poder,
  as invejas mesquinhas, as rivalidades
  que nos magoam e separam dos irmãos?

- Diante deste "rei" que se dá sem guardar nada para si,
  não nos sentimos convidados a fazer da vida um dom?

Certamente nos sentimos felizes em sermos cidadãos desse Reino.

Por isso, alegremo-nos dessa dignidade e

façamos com que ele tenha um lugar sempre maior dentro de nosso coração...

                                                                                              

                                        Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa -21.11.2010